Por que as pessoas gostam tanto de gente famosa?

celebridades
Essa é uma pergunta que pouca gente faz e justamente por não haver este tipo de autoquestionamento é que o amor desenfreado pelos famosos tem aumentado cada vez mais. Todos os dias, as cinco notícias mais lidas e procuradas nos noticiários e no mundo web são as que se referem à vida de gente famosa. O mais lamentável é que quase tudo que é noticiado não passa de bizarrices, coisa sem a mínima importância, desprovida de qualquer conteúdo cultural. Gente famosa é o grande produto oferecido pela mídia como um prato rápido e pronto para ser consumido por quem não aprendeu ainda a pensar ou gastar sua vida com menos banalidades.

Segundo artigos da psicologia americana, as celebridades simbolizam os nossos desejos ocultos para a riqueza, fama, a imortalidade, invencibilidade, validação, beleza … Com efeito, quando acompanhamos suas vidas estamos reforçando o desejo de que um dia as nossas vidas também possam ter o brilho e o destaque que as celebridades alcançaram. Elas podem também se tornar uma opção de fuga, de nós mesmos ou de uma realidade que não nos agrada.

O cineasta alemão Werner Herzog, que participou do congresso internacional de jornalismo demonstrou grande preocupação com a perda de espaço para a crítica das artes, segundo ele: “O debate inteligente sobre cinema e demais artes culturais, hoje foi abolido e em lugar dele estamos alimentando a indústria das celebridades”. Para alguns estudiosos da cultura, as pessoas envolvidas no jornalismo, logo se rendem às agendas de lançamentos e não conseguem dar conta de um trabalho mais elaborado e crítico. “Falta matéria de conteúdo cultural nas rádios, televisões, blogs, jornais”, afirmam.

A ideia que se prega entre diversos jornalistas é que a culpa é dos próprios jornalistas e da indústria cultural que hoje “dançam conforme a música” e só publicam aquilo que o público quer e está viciado a ler. Muitos entre os mais renomados jornalistas concordam que é preciso usar a mídia como instrumento para mudar essa sociedade tão superficial, e levá-la a compreender a necessidade de um senso crítico mais aguçado daquilo que chega até ela. Realmente não dá para ficar lendo matérias pagas pelas próprias celebridades que insistem em se manter sob os holofotes. Não dá para perder quinze ou vinte minutos em um texto que afirma que “esse ou aquele ídolo passou o domingo na praia com sua avó” ou “ que passeou com seu cachorro pelo parque no sábado à tarde”.

Há tempos atrás, grandes editores do jornalismo americano e de outros países como a Alemanha, tinham os veículos de comunicação, principalmente os jornais impressos, como ferramenta inspiradora, capaz de educar e mostrar para as pessoas os melhores caminhos a serem seguidos, proporcionando com isso uma sociedade melhor e mais culta.

Segundo dados que levantei sobre esse tema, um dos grandes, talvez o maior editor inglês da era vitoriana cujo nome era Willian T. Stead, tinha uma opinião muito forte de que os editores eram muito mais eficazes que qualquer governo para iluminar um país, pois eles tinham como missão, fiscalizar os políticos para que não cometessem besteiras e também corrigir as pessoas em suas atitudes e exemplos.

Hoje tudo isso foi esquecido e o que se vê em nossos dias é uma imprensa irresponsável, obcecada por vida de celebridades. Em vez de educar as pessoas, os jornais passaram a roubar os seus valores e seu tempo e a deseducá-las. Grandes espaços, do tamanho do absurdo, começaram a ser abertos para as chamadas fofocas e logo surgiu uma indústria de mídia totalmente voltada para a fofoca, que hoje arrecada milhões em cima da ignorância de nosso país.

É imensurável o grande contágio que o glamour dos famosos exerce sobre “os meros mortais”, (anônimos se preferir). Vejo gente que morre de amores por estrelas que nunca sequer conheceu, nunca irá conhecer e que com certeza nem sabem que elas existem, mesmo assim, essa gente gasta muito de seu precioso tempo com seus veneráveis.

A cultura e a fofoca gospel
Como seria bom se esse desarranjo da informação tivesse ficado apenas nos veículos seculares da comunicação, mas não foi o que aconteceu. A igreja de Jesus, não conseguiu segurar a onda das banalidades que assola o mundo inteiro, e, um espírito de “fofoca santa” já infectou o coração de muitos membros outrora abençoados. Muitos de nossos irmãos gastam boa parte de seu tempo tão precioso, nas redes sociais acompanhando e “babando” aos pés de gente famosa, curtindo tudo que eles inventam, brigando nos comentários e comendo tudo que nossas “santas celebridades” vomitam em seus pratos. Intriga-me o fato de muitos fãs gospel, não apresentarem um mínimo grau de raciocínio e não parar para pensar que mídia é algo flexível que qualquer um pode produzir e até manipular. Com pouco dinheiro, hoje dá pra se fazer com que informações ou boatos circulem pelo país inteiro em um dia ou que determinada informação chegue até você exatamente como você quer que chegue. Na mídia moderna a tendência é sempre dispensar fundamentos. Geralmente mostra-se apenas o que “esse” ou “aquele” ídolo quer que seja visto ou lido, a menos que ele se envolva em algo que gere outros tipos atraentes de notícia. Para que uma fonte segura dos fatos se as pessoas apenas se interessam por nomes? Ora, se foi o “pastor fulano” que falou então tá falado.

Grandes nomes se tornaram “referência” em nosso meio e são tidos como intocáveis, por que mostram um lado aceitável e piedoso na mídia. Enquanto isso, muitos não sabem que tais pessoas nada mais são do que meros profissionais de marketing. Gente que está na igreja e que aprendeu a vender o que a igreja quer comprar. Na verdade, eles sabem muito bem que do outro lado da notícia tem um público pobre de conhecimento e opinião que consome, dá credibilidade, divulga e espiritualiza tudo que lhes é oferecido. Na verdade isso chega com mais violência até nós evangélicos. Uma vez que um fã gospel acredita que seu ídolo é um “ungido de Deus”, toda a tentativa de abrir-lhe os olhos logo é recebido como uma atitude de inveja, rebeldia ou de julgamento. “Ai daquele que tocar em um ungido de Deus”, essa é a frase que muitos usam para defender suas celebridades gospel, sem entender que pecado mais grave comete aquele que não compreendeu ainda que aquele cantor, cuja música lhe fez bem ou que aquele pregador, cuja palavra um dia tocou seu coração, agora tornou-se um ídolo e que a idolatria é uma prática das mais abomináveis por Deus.

Culto à celebridades
Infelizmente a classe gospel hoje engrossa uma estatística publicada pelo jornal O ESTADÃO no dia 13 de agosto de 2003 que afirma que um terço das pessoas sofre da Síndrome de Adoração de Celebridades. Para 10%, culto vira vício. (Eu grifo que isso também afeta o público gospel, pelo que vejo nas redes sociais)

Segundo a estatística, Em cada dez pessoas, uma é “viciada” em celebridades. É o que sugerem pesquisadores de universidades em Orlando e Springfield, nos Estados Unidos. De acordo com o trabalho, um terço das pessoas sofre em algum grau de uma certa Síndrome de Adoração de Celebridades. Cerca de 10% desenvolvem uma obsessão tal que podem ser levadas à depressão, ansiedade e psicose. Uma em cem pessoas chega ao limite da patologia. Nesse último grupo, estão as pessoas que perseguem as celebridades e que não medem esforços nem danos em nome do ídolo.

A pesquisa foi desenvolvida por Lynn McCutcheon, da DeVry University de Orlando, Flórida, e James Houran, da Southern Illinois University, em Springfield. Eles estudaram o comportamento de cerca de 600 pessoas e classificaram sua dependência a celebridades. O resultado foi publicado pela Scientific American.

O estágio mais leve da doença inclui pessoas que acompanham a vida das celebridades por entretenimento. Aqui entram os fãs que conhecem todos os detalhes da vida de seu ídolo. Já classificado como uma disfunção, este tipo de culto a celebridades atinge uma em cada cinco pessoas. Embora considerada leve, esta disfunção já inclui pessoas mais propensas à ansiedade e depressão. O estágio seguinte é o do vício. A adoração, neste ponto, ganha uma maior intensidade e é diagnosticada como uma dependência. Aqui está 10% da população, que acredita poder desenvolver algum relacionamento pessoal com a celebridade. Finalmente, no nível mais avançado, 1% da população chega ao limite da patologia. Neste caso, o culto a celebridades implica atitudes perigosas e comportamento criminoso. As informações são do Ananova.com.

A informação esta aí. É algo embasado que apresenta fontes seguras e fatos de fácil compreensão. A nossa esperança, através do que sempre publicamos no site Oleopreciso.com é que as pessoas possam abrir seus olhos e entender que o lugar de Deus em sua vida não deve ser ocupado por mais ninguém. Entenda que você, meu querido, não pode roubar a Gloria de Deus e entregá-la a uma criatura só porque você se identifica com a letra, com o ritmo de sua música ou com a forte colocação de palavras em sua pregação. A Bíblia nos recomenda a adorar somente a Deus e só a Ele prestar culto. Não confunda sucesso com unção, ídolos com escolhidos e nem sua admiração a qualquer celebridade com a atuação do Espírito Santo. Não saia nas redes sociais brigando e desacatando quem publica algo que você não gosta sobre suas celebridades. Isso talvez seja algo verdadeiro e que por cegueira você se recusa a aceitar. Saiba que muitos deles são tão profissionais que podem te enganar para vender uma marca que você imagina que seja unção. A idolatria gospel ou religiosa é a pior e a mais perigosa que existe, pois é a única onde o ídolo tem abertura para explorar a veneração de seu fã.

Adeneir Sousa
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