Feliciano: O homem que manda prender

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Especialistas em direito já esclareceram que o beijo em protesto, dado por duas garotas no Glorifica Litoral em São Sebastião-SP, não configurou em crime, por diversas razões. Para Feliciano, que já andava meio sumido da mídia foi mais um “pulo do gato”. De acordo com as garotas que cometeram o beijo, Feliciano terá que responder por suas ações nos tribunais, mesmo assim, mais uma vez e como sempre, de forma polêmica, sacudiu a mídia. Durante toda a semana o vídeo publicado e divulgado pelo próprio Feliciano circulou de forma viral nas redes sociais e os comentários da maioria dos evangélicos, até de muitos que já andavam desconfiados da postura de nosso “representante”, deixaram claro que realmente estamos vivendo um tempo de guerra em nome de Deus e da igreja. Liderados por Feliciano e outros extremistas da mesma linha, religiosos, inclusive líderes, não param para pensar no mal que estão disseminando. Disparam todo seu ódio, e preconceito revestidos de justiça santa em quase todos comentários que publicam nas redes sociais, alimentando uma guerra destruidora da fé, julgando erroneamente, ser ela do interessasse de Deus. Ainda não pararam para pensar que se Deus realmente tivesse entrado nessa guerra, ela já teria acabado, por certo.

Particularmente, lamentei “de cara” mais esse feito de Feliciano e o fiz por que aprendi a analisar os fatos sob diversas óticas e por não estar preso a ideais políticos ou religiosos. Quero citar pelo menos quatro motivos pelos quais discordo da tão “aplaudida” ação de Marco Feliciano:

  1. “Se fosse um homem e uma mulher poderia ter acontecido o beijo?” Esse foi um dos questionamentos do professor de Direito Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Fernando Castelo Branco, em entrevista ao jornal O Globo. Há anos que percebo nos congressos cristãos, casais de namorados se beijando em ambiente de culto e nunca vi nenhum pastor ser tão enérgico em relação à mesma postura, embora o ato também configure desrespeito ao culto.

  2. Está mais do que claro que o protesto não foi contra o evento e sim, contra o próprio Marco Feliciano. Infelizmente ao confrontar o deputado Cristão, acabam ferindo o próprio direito de culto. Sou um dos poucos que defendem que a igreja está sendo vítima de uma guerra que é tão somente de Feliciano e de outros poucos egoístas e aproveitadores e afirmo que ela ainda vai nos sair muito cara, podendo inclusive terminar em morte. O deputado que “representa” muitos crentes (E sempre cobrou muito caro por seus serviços) está jogando a igreja em um embate com motivações doentias e atrasadas, que, sabe lá Deus quando irá acabar. Faz isso, apenas por mero interesse de exposição na mídia sem se lembrar que um deputado federal poderia oferecer a seus eleitores tantas coisas mais úteis. Essa relação com o Feliciano político tem feito muito mal para a imagem da igreja. Hoje já são dezenas de projetos que se encontram em tramitação que de uma forma ou de outra traz algum tipo de ameaça à igreja, sem falar no quanto estamos voltando no tempo, pois o que acontece hoje, já foi promovido por uma igreja ignorante e inconsequente, num passado que deveria ser esquecido.

  3. Feliciano precisa decidir um rumo para sua vida. Já disseram que ele faz tudo, menos trabalhar. Já se passaram, aproximadamente três anos de mandato e nada de projetos ou benefícios concretos para a igreja. Hoje já sabemos que ele se tornou uma figura polêmica, portanto, em todo lugar aonde pisar será recebido com protestos que por certo ele atribuirá ser contra a igreja, tirando o máximo proveito para sua campanha. Da mesma forma que a Câmara dos Deputados não é um lugar para cultos religiosos, a igreja, não importa onde esteja configurada, também não deve ter espaço para práticas políticas, mesmo que muito bem camufladas. Os beijaços irão aumentar cada vez mais, não por causa da igreja, mas em provocação à figura tão indigesta de Feliciano no meio secular. Uma vez que decidiu abraçar a política, inclusive com pretensão já revelada de se tornar candidato à presidência da República ou senador pelo próprio PSC, deveria deixar a igreja de lado e se apresentar apenas como político, até porque não dá mais para separar suas pregações e ações de uma campanha fora de época.

Por último, sei que muitos admiram Feliciano pela atitude e coragem que demonstrou ordenando que as jovens fossem levadas presas. Sei também que foi a execução de um direito permitido por lei, não só dado a um deputado, mas a qualquer cidadão, que é o de dar ordem de prisão mediante qualquer flagrante de delito. Essa, porém, nunca foi uma postura recomendada pela Bíblia. Afinal, não foi o mesmo Cristo que Feliciano prega, e agora tenta defender que disse essas palavras? -“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5:44-45). Um cristão, mesmo revestido de autoridade terrena; ainda que esteja no desempenho legítimo de seu cargo, mas que manda prender os que lhe afrontam, se fazendo passar por vítima de algo que ele mesmo está promovendo, inclusive por seus próprios interesses, vai contra todos os princípios da Palavra de Deus. Quem viver verá onde isso tudo vai dar. Uma coisa eu sei: a igreja pode pagar muito caro por essa e por muitas outras que ainda virão em nome de Deus.

Adeneir Sousa
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