O líder e a arte da preleção

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No meio cristão, infelizmente, é normal a existência de líderes que não ultrapassam a média. É muito comum nos depararmos com aqueles que tem aparência de arrojados e inovadores, mas basta ouvir deles poucas palavras para perceber uma característica comum, são medíocres pela falta de dedicação. Acabei de sair de uma reunião realizada para centenas de pessoas e a preleção estava a cargo de uma conhecida oradora de Goiânia.

Eu a vi chegar com pompa de grande mulher de Deus. O orgulho era visível em sua face, pois ela não conseguia esconder que se sentia como se fosse a “pedra que acertou Golias”. Não pense que sou aquele tipo de crente que só vai para as reuniões para observar erros de homilética ou de postura dos ministrantes e nem que sou um machista que odeia ver mulheres falando em público, não sou. A verdade é que alguém tem que reclamar de certos comportamentos do nosso meio. Comportamentos estes, que mais decepcionam que edificam. A oradora em questão, já a vi ministrar a mais ou menos 10 anos, e acredite, ela me surpreendeu. Não por ter pregado aquela mensagem que nos faz sair do banco como se fôssemos nuvem de algodão, mas por ter se mostrado pior do que era antes. Os mesmos gritos, o mesmo testemunho de “ex” isso, ou “ex” aquilo e tudo formando um conjunto de atritos, que denunciava claramente que a Bíblia ela não lê faz tempo… Eu fico me perguntando: Porque as pessoas preparam um evento, gastam tanto e depois convidam alguém para nos deixar desapontados, achando que melhor seria ter ficado em casa?

Mergulhando em meu raciocínio, que talvez muitos entendam por rebeldia, ou arrogância eu cheguei a uma triste conclusão: Quem ama suas ovelhas precisa se preocupar com a qualidade dos alimentos que oferece a elas. Um líder ou pastor não pode deixar que alguém ministre apenas para que não fique triste, ou porque tem muito tempo que ele não ministra. Se seu evento é de família convide alguém que tenha conhecimentos nessa área, se é para líderes faça o mesmo, se para crianças ou adolescentes descubra quem está preparado para ministrar nessa área, resumindo: saiba que muitas vezes o pregador famoso não é o apropriado para seu evento ou para o público que você atraiu. A título de esclarecimento, já estive em palestras para casais e depois descobri que o palestrante é um divorciado, o que é o cúmulo da incoerência.

Se há uma verdade incontestável que aprendi com a vida prática, foi a de que: Péssimos oradores geram péssimos ouvintes. Há congregações onde a qualidade da palavra ministrada é tão ruim que o povo tapa os ouvidos mentais e aprende não ouvir, mais nada, se limitando apenas a esperar o tempo passar.

O fato de sermos cristãos, não nos impede de falar somente o necessário. Quem tem o ministério da palavra precisa ter foco e saber exatamente o que falar, como falar e conhecer previamente o público a quem irá falar. Se você é líder ou ministrante da palavra de Deus, não faça o nobre povo de Deus sofrer. Não suba numa plataforma ou entre em qualquer ambiente para falar de sua vida, de suas desgraças e nem, muito menos, apenas de seus êxitos ou conquistas. Fuja do comum e do improviso, se gosta da oratória, ame o aprendizado, tenha sempre algo de Deus para oferecer.

Saiba que para isso você terá que pagar um preço, e acredite. Não sai barato. Veja abaixo os passos que um bom ministrante deve seguir:

Prepare. (Nem mesmo os palhaços entram no picadeiro sem ensaio), use o improviso, mas não viva dele. O povo de Deus não merece. É arrogância desprezar o bom preparo.

Aprenda ter noção do tempo, nunca ultrapasse horários.

Aprenda resumir informação, nunca gaste meia hora explanando algo que pode ser dito em 1 minuto.

Peça pessoas próximas (amigos íntimos, esposa) para avaliar o seu desempenho. Eles te mostrarão o que deve ser corrigido.

Se você é um ministrante pentecostal, saiba que mais importante que a vaidade pessoal de levar as pessoas ao delírio é apresentar um sermão com um conteúdo sólido, honesto, sem coação ou simulações teatrais. O fato das pessoas gritarem ou alcançar o êxtase, não quer dizer que elas estão sendo tocadas no espírito ou edificadas, tudo pode ser alma, emoção e até manipulação pela indução. Os melhores aprendizados acontecem no silêncio de uma reflexão

Não viva repetindo mensagens (principalmente as que não são suas).

Por favor: não grite. (Já inventaram microfone). Por outro lado, já está fora de moda o estilo de ministração onde a voz é imposta aos berros para impressionar os ouvintes. Isso é ridículo, o mais importante é que a mensagem seja compreendida e não que o povo chore de emoção ou fique surdo.

Se você vai conduzir uma reunião, ela deve ter um mínimo de organização. Nunca pregue antes durante e depois da reunião. Existe um horário reservado para a ministração da Palavra.

Nunca pense que você é o melhor ministrante do universo, isso é o começo do fim. Não viva imitando seu líder, não copie o estilo de outros pregadores creia na possibilidade de receber de Deus um estilo próprio.

Cuidado com os cacoetes, seja natural não troque o “s” por “x” a menos que você seja carioca. Não se valorize demais,  não  fale que estava pregando em um congresso no mês passado, não exagere na “puxação de saco” da  pessoa que te convidou  ou dos líderes superiores a você.

Domine o tema que irá ministrar, nada é pior do que tratar um tema atual usando ideias velhas e ultrapassadas. Nunca entre em assuntos que você não conhece e faça o possível para se ater no tema proposto. É egoísmo ser convidado para ministrar sobre um tema e trocá-lo por outro que você tenha mais facilidade.

Estude muito, leia no mínimo um bom livro por mês porque ele vai te trazer conhecimento e inspiração. Aprenda com a vida, aprenda com a prática, ouça outros ministrantes, principalmente os bons. Lembre-se: Fama não é sinal de qualidade, tem gente que adquire fama só porque teve uma alucinação que foi ao inferno ou porque aprendeu técnicas de pregação ou impostação de voz.

O bom ministrante é aquele que aprende a ler as expressões do ouvinte. Lembro-me do início de meu ministério, quando éramos vários ministros novos, inexperientes e muito empolgados. Alguns perguntavam, depois da ministração, como tinham se saído. Hoje percebo que esta pergunta é absurda. O ministrante tem que saber mais do que ninguém se foi bem ou mal na explanação do seu discurso, pois há meios para isso. O bom orador é aquele que se comunica com seu público. Ele sabe exatamente se os ouvintes estão gostando ou não, porque o público se encarrega de transmitir esses sinais ao orador. Quando o ouvinte gosta do que está sendo transmitido demonstra atenção focada, sorri e vive o que está sendo ministrado. Quando não esta gostando, dispersa facilmente a atenção, olha para o teto, para o relógio, admira os filhos. Mulheres deslizam os dedos pelos cabelos e olham para captar alguma “ponta dupla”, bocejam repetidamente e às vezes dão um olhar indignado para o ministrante como se tivesse perguntado: “Até Quando, meu Deus?”.

O desejo de Deus para sua vida é o de te usar poderosamente para edificar, motivar, avivar, alegrar, inspirar, consolar, curar e resgatar vidas em desespero. Por isso, a sua dedicação na oratória deve ser algo primordial. Não seja alguém que engana a si mesmo e tenta enganar os ouvintes. O discurso tem que ter corpo, lógica, interligação, aplicação, finalização e principalmente atração. Aprenda a falar para ser ouvido e nunca para impressionar, foque no que o auditório cristão necessita ouvir. Nada de apresentar um discurso que mais parece uma “carroça disparada” a qual ninguém sabe onde está indo e nem consegue parar. Use recursos de linguagens, figure, seja analítico, crítico, comparativo…Venda idéias, recorra aos gestos, ponha toda sua alma para se expressar.

Lembre-se: Ministrar em uma reunião é o mesmo que fazer um jantar. Se na sua geladeira tem apenas ovo e arroz, não há a mínima possibilidade de oferecer uma lasanha, ou um churrasco. Como despenseiro de Deus, naturalmente Ele usará o que você tem armazenado. Prepare a sua vida e encha-se de Deus. Em todas as circunstâncias, a boca fala daquilo que o coração está cheio.

Autor: Adeneir Sousa.

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