Esposas de pastores. Quem são essas mulheres?

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Lembro-me que há mais ou menos dois anos atrás, ao buscar informações sobre um carro que estava interessado em comprar, entre diversas opiniões sobre o modelo uma me chamou atenção. Um usuário estava insatisfeito por que segundo ele, havia amplos “pontos cegos” no retrovisor. Para você que não faz idéia do que isto significa, explico. Um ponto cego no retrovisor é um espaço onde não há visibilidade ou percepção do que esteja acontecendo; um motoqueiro ou um carro pode estar ali naquele ponto cego sem que você o note no retrovisor e isso pode representar um grande perigo por que podem surgir do nada e causar um acidente ou estrago. Infelizmente no nosso ministério pastoral também há muitos “pontos cegos” e para muitos pastores é nesse ponto cego que se encontram sua família e especialmente a esposa.

Escrevo hoje reconhecendo a nobreza e a dôr de todas as esposas de pastor, alertando sobre o quanto é difícil executar esta tarefa e como algumas a desenvolve com maestria, mesmo que não sejam notadas, ou estejam escondidas em algum lugar nos “pontos cegos” do ministério.

Esposas de pastores, são mulheres como as outras: Elas amam, se decepcionam, choram, sentem ciúmes, odeiam estrias e celulites, menstruam e passam por TPM e tem necessidades, íntimas como reconhecimento e sexo. Elas também lutam com os mesmos problemas de todas as esposas. Há as que  precisam inclusive lutar contra a depressão e a ansiedade que a rotina lhe causa e ainda,  com um agravante: elas sabem o quanto é difícil falar sobre questões emocionais e de saúde mental dentro de uma igreja tão especialista em demonizar diversos fatos.

Toda esposa de pastor sabe o quanto é grande a pressão para que ela seja perfeita e precisa aprender a conviver com isso todos os dias, mesmo sabendo ser esta, a mais impossível das tarefas, pois o fato de ser mulher de pastor não há torna imune a todas as tentações normais que nos rodeiam;  elas  têm o mesmo direito de errar e de requerer perdão quantas vezes for necessário.

Imagino que devem sentir queimando dentro de si, todos os dias, a pressão dos altos padrões de expectativas que recaem sobre elas, e que convivem também com o incômodo de serem examinadas em cada movimento. Deve ser muito dolorosa a sensação de sentir-se como se um microscópio estivesse examinando constantemente como ela trata seus pais, como ela mantém sua casa, como ela se veste,  se ela sabe ou não falar na igreja se é conselheira, amorosa ou não e até se ela faz parte  da oração das irmãs.

É preciso ter muita coragem por que às vezes se torna necessário arregaçar as mangas e lutar com garra por seu casamento como qualquer outra mulher que ama e protege, mesmo sabendo que será duramente julgada por isso.

Às vezes, tão sozinhas, precisam lutar todos os dias contra a ganância e amarguras de diversas origens, pois vê o ministério sugar o tempo, a energia e virilidade de seu esposo. No fundo, a esposa do pastor gostaria de ter verdadeiros amigos em sua igreja, alguém que a visse como um igual, e não apenas como “a esposa do pastor

Claro que não são todas, mas creio que há muitas que se sentem muito mal ao serem esmagadas no ministério e por serem as vítimas mais diretas da falta de todos os direitos normais que a cultura religiosa impôs sobre todos os pastores.

Se você, mero freqüentador, às vezes se sente farto da igreja, saiba que a esposa de um pastor também sente isso. Elas também se sentem fartas da igreja. A diferença é que  não podem, repentinamente sumir, como muitos o fazem covardemente. Eu sei que há constantemente a sensação de  querer desistir e ir embora da igreja, mas o peso de uma missão sempre fala mais alto. Pena que a consciência da missão não elimina o estresse e aquela sensação de estar no limite da paciência que faz parte da vida de toda esposa de pastor.

Ela sabe perfeitamente e absorve mais do que todos, o fato de muitos olharem para seu marido e achar que ele não está fazendo o suficiente em prol da igreja que preside ou ministra. Elas convivem com a impiedade e a ganância que vem de cima e com a ingratidão dos muitos liderados cobertos por ele. Ela divide o seu marido com aqueles que ela sabe que nunca o amarão como ela.

É preciso saber que há muitas expectativas irrealistas, cobranças injustas, palavras imerecidas e que muitas famílias de pastores se afogam debaixo desta pressão continua e avassaladora e depois da destruição não há uma mão, uma pessoa, uma comissão, para cuidar de seus corações e de suas vidas, afinal trata-se apenas mais uma família que a igreja matou.

Estar no ministério é um privilégio e uma coisa bonita, mas também é brutalmente duro!

Então vá chamar a esposa do seu pastor, diga a ela que você a aprecia. Convide-a para tomar um café e pergunte se ela está feliz. Conte piadas, faça a sorrir um pouco, abrace sinceramente. Não a julgue quando seus filhos se comportarem mal, faça o contrário, diga a ela que você fica feliz em saber que eles são uma família como todos as outras. E se ela se atrasar para o convite compreenda que a esposa de um pastor também tem dias ruins.

Esposas de pastores são mulheres com as mesmas necessidades, medos e inseguranças como a maioria das outras mulheres. Eles não são mais santas, eles não têm um lugar maior de comunhão com Deus, e elas precisam muito do carinho e do cuidado de sua congregação.

“A vida é uma bagunça;  somos todos  pessoas quebradas; todos nós precisamos desesperadamente de Deus”.

Adeneir Sousa de Oliveira

Adaptado do Blog de Ellen Stumbo  Ellen é a esposa de um pastor, e ela escreve sobre encontrar beleza em quebrantamento com honestidade, coragem e entrega. Ela é apaixonada por compartilhar os reais, às vezes belos e, por vezes feio – aspectos da fé cristã.

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