A “queda de braço” de Feliciano e a obstinação de muitos evangélicos.

feliciano
Os últimos dias nas redes sociais têm sido insuportáveis para quem não gosta da “baderna” generalizada. Quando o deputado Pastor Marco Feliciano assumiu a Comissão de Diretos humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, instalou-se uma verdadeira “queda de braços” entre ele e o ativismo LGBT. Mas a briga não ficou apenas na Câmara dos Deputados. Ela foi comprada por muitos evangélicos que se aderiram à causa e pensando defender a igreja passaram a publicar nas redes sociais e comentar nos sites de notícias todo tipo de ofensas, xingamentos e declarações até carregadas de ódio e preconceito, o que nada tem a ver com o comportamento da igreja evangélica. Marco Feliciano que em muitas mensagens, atacou os crentes dizendo que entre nós “há muita gente que não tem o que fazer e passam o dia todo na internet fofocando com os dedos”, agora se beneficia da prática que tanto condenou. Os crentes entraram na briga e o dia todo publicam ofensas e acusações contra qualquer um que se afirme homossexual ou defensor da classe. Um clima de “ódio santo” toma conta da internet nesses últimos dias. Confesso que por publicar esse artigo não defendendo o deputado estou correndo sério risco.

Objetivos da comissão de direitos humanos
Quem não sabe o que é ou para que serve a Comissão de Direitos Humanos, acaba pensando que tudo não passa de perseguição religiosa, o que não é. A própria Comissão em seu texto de apresentação afirma que os direitos humanos são: universais, indivisíveis e interdependentes. O principal objetivo da CDH é contribuir para a afirmação desses direitos. Parte do princípio de que toda a pessoa humana possui direitos básicos e inalienáveis que devem ser protegidos pelos Estados e por toda a comunidade internacional. Tais direitos estão inscritos em textos e diplomas importantes de direitos humanos, que foram construídos através dos tempos, como são, no âmbito da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e, no âmbito da OEA, a Declaração Americana de Direitos Humanos (1948). O Brasil é signatário desses e de outros instrumentos internacionais, o que significa que assumiu compromissos com os direitos humanos perante a Humanidade e diante de seu povo. A CDH recebe anualmente, em média, 320 denúncias de violações dos direitos humanos. A maioria delas refere-se a violações de direitos de presos e detenções arbitrárias, seguida de violência policial e violência no campo. Esta escala tem se mantido estável, mas se percebe o crescimento de outros tipos de violações atingindo grupos vulneráveis como indígenas, migrantes, homossexuais e afro-descendentes. (fonte: Site da Câmara dos Deputados)

Por que Marco Feliciano é considerado desqualificado para o cargo?.

Marco Feliciano passou a ser considerado desqualificado para o cargo não pelo fato de ser cristão ou pastor evangélico, mas por causa da postura sempre contrária aos direitos dos gays e por ter feito, segundo todos os noticiários declarações racistas contra os negros e africanos. A briga, não só dos gays, mas de muitos políticos, artistas e pessoas influentes da sociedade acontece porque tal postura não condiz com o perfil exigido de alguém que queira ser presidente de uma comissão criada justamente para defender (e não acusar ou prejudicar) os direitos de diversas classes muitas vezes excluídas da sociedade. Por outro lado, o Brasil é um país laico o que não dá a nenhum parlamentar o direito de legislar em nome de Deus ou de determinada classe religiosa, assim sendo, um deputado não pode ser deputado apenas dos crentes. Ele tem que ser deputado tanto para os crentes, como para os negros, índios ou qualquer outra classe de pessoas que necessitem do amparo do governo. Sendo assim o cargo de Marco Feliciano é apenas político e nada tem a ver com a igreja. O certo é que para os gays e minorias, manter Marco Feliciano na Comissão de direitos humanos é o mesmo que tentar empossar o Ronaldo Fenômeno como técnico da Argentina. É algo inviável que nunca dará certo.

Porque Marco Feliciano não Sai.
Já em seu primeiro mandato Marco Feliciano tornou-se “persona non grata” na CDHM. Depois de algum tempo, o que se percebe é que ele está disposto a manter a briga levando todos a pensar que essa briga se dá no nome da igreja. Uma briga que não trará nenhum resultado nem para a igreja e nem para sociedade em geral a não ser a disseminação do ódio. Essa peleja, porém poderá ser muito benéfica a carreira política dele. Enquanto muitos evangélicos “se descabelam” nas redes sociais, a situação torna-se cada vez mais cômoda para Marco Feliciano. Toda essa “perseguição” tem dado a ele grande destaque e muita publicidade de graça. Quanto mais ele se coloca como a vítima de uma determinada injustiça, mas prestígio consegue junto aos evangélicos que também se sentem injustiçados. Há inclusive manifestações no Facebook favoráveis até a sua candidatura para presidente da república que já possui mais de 60.000 assinantes. Esse caminho já vem sendo trilhado há muito tempo pelo pastor Silas Malafaia que também tem aproveitado muito bem o bom destaque que a briga contra os gays proporciona. Marco Feliciano também sabe perfeitamente que cada dia de perseguição lhe renderá mais apoio e prestígio entre os evangélicos e por isso tem aproveitado cada momento dessa confusão toda. Ele não vai renunciar com certeza. A renúncia não lhe é um bom negócio, pois ela poderia soar como covardia . Bom para ele seria de alguma forma ser retirado do cargo e sair como o herói que foi rejeitado por defender a causa de um povo. Isso sim, lhe renderia milhares de votos entre os evangélicos. Como em uma comissão não é lugar para autopromoção ele também poderá pagar muito caro por sua postura de não renunciar, principalmente porque já corre contra ele processos de racismo, homofobia e estelionato, este último contra a própria instituição que ele afirma defender que é a igreja, além disso já circula pela câmara diversos pedidos de investigação contra o deputado, por quebra de decoro, irregularidades e corrupção. Enquanto ele fica, a igreja nada ganha e continua apenas com seus adeptos enquanto a causa gay vai ganhando cada dia mais adeptos importantes e o país sai perdendo por demonstrar que a democracia tão propagada ainda está longe de ser alcançada.

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