Marco Feliciano e os cuidados que todo pastor deve ter

Marco Feliciano e os cuidados que todo pastor deve ter

Para a mídia, especificamente nas redes sociais parece algo absurdo, ver um grande pregador como o Pastor Marco Feliciano “floreando” suas mensagens com análises fortes como as que afirmam que “Deus matou John Lennon”, que “Deus fulminou os Mamonas Assassinas, pois feriram a santidade de Deus, as crianças” e que “o programa do Raul Gil é engodo de Satanás. Não morro de amores por Marco Feliciano. Sei que ele é mestre das falácias e do teatro gospel e até, mesmo antes de toda essa bomba estourar, eu já tinha escrito aqui mesmo nesse site que toda essa fascinação pró Feliciano era muito perigosa, tanto para a igreja quanto para ele. Hoje tudo que está no artigo está acontecendo diante dos olhos de todos (Clique aqui e leia o artigo). Se calaram a respeito de Feliciano e quando o povo evangélico se cala é mau sinal. Significa que já não têm mais convicção para argumentar e nem coragem de defendê-lo como antes. Mas o fato de não sentir afeto pela “estrela” dos púlpitos brasileiros e internacionais não quer dizer que eu não possa vir aqui defendê-lo. Se Marco Feliciano “deve pagar a conta” por ser grande formador de opinião eu não sei, mas conhecedor do evangelho como sou, afirmo que o que foi dito por ele tão somente transmitiu de uma forma massificada tudo que acontece rotineiramente dentro de muitas igrejas evangélicas. As polêmicas citações de Marco Feliciano não fazem parte de uma “Nova ordem  Felicianica”, elas são fruto do que ele aprendeu na faculdade do “ré té te” tão impregnada na cultura pentecostal e aplicou normalmente em suas homilias sem análise alguma.

Falar mal de grandes personalidades da música, da política e das artes em geral sempre foi prática comum em nosso meio. Quem nunca ouviu dizer que as músicas seculares são consagradas ao diabo?  Quem nunca ouviu no meio do evangelho, dizer que grandes cantoras e apresentadoras de programa de grande audiência têm pacto com o tinhoso?  Que os nomes dos astros e de novelas e as musicas de sucesso são consagradas ao demônio? Os crentes, minha gente, falam de tudo que sabem e que não sabem tanto do mundo físico quanto do mundo espiritual. Antes mesmo do Feliciano, há mais de 20 anos atrás, já falavam que Deus matou John Lennon pelo efeito de sua famosa frase “mais populares que Cristo”. Falam até hoje que Deus matou o primeiro presidente eleito por eleições diretas Tancredo Neves afirmando que a causa de sua morte foi juízo de Deus por ter ele dito que “Nem Deus poderia lhe tomar o mandato” e falam também a mais de duas décadas que foi Deus quem afundou o Titanic matando centenas de pessoas por ter em seu casco a seguinte inscrição: “Nem Deus afunda este navio”.

Dizem muitas coisas sem fundamento algum apenas para fechar o subtópico de uma mensagem com o forte bordão usado por Feliciano: “De Deus não se zomba”. A maioria dos pregadores pentecostais gostam de afirmações curiosas, trágicas e de juízo, pois são totalmente fixados em levar os fieis ao que chamam de clímax espiritual que é ápice da pregação e acontece quando os fieis gritam desesperadamente falando em línguas estranhas. Confesso que em nome dessa fixação já vi muita besteira sendo dita e feita em cultos brasileiros.

Pastores precisam se convencer de uma vez por todas que são homens de Deus e ao mesmo tempo figuras públicas e formadores de opinião por isso, o cuidado com o que dizem, com o que fazem, e com as decisões que tomam devem ser redobrados e apresentar  toda a honestidade e transparência. Estamos na época da tecnologia móvel onde tudo pode ser gravado e filmado até mesmo sem que ninguém perceba.

Falar o que não deve é grande sinal de despreparo e até de problemas emocionais. Afinal a Bíblia diz que “A boca fala daquilo que está cheio o coração”. Temos mesmo que repensar nossa cultura e práticas em diversos âmbitos. Nossos dias são de muitos  pastores falastrões e desonestos por todos os lugares e não adianta sermos hipócritas tentando “tapar o Sol com a peneira”. Infelizmente há no nosso meio, gente que mente, usa e manipula os fieis, se envolvem em todo tipo de falcatruas e não são poucos. Há homens que se passando por homens de Deus e por ter certa influência,  se julgam acima da verdade e por isso não tomam um mínimo de cuidado com sua vida e suas palavras.  Santidade não pode ser apenas um tema para se pregar no culto, mas para se empregar na vida.  Em nosso tempo a vida de qualquer cidadão pode ser revirada até que se encontre algo para incriminá-lo e lançá-lo na cadeia, se isso for interesse de alguma classe.

Às vezes tenho certo temor de ter chegado o tempo de Deus purificar a igreja, revelando muito do que tem escondido no meio dela. Temos que corrigir nossos erros como igreja porque essa batalha espiritual também pode indicar que Deus, como já fez em outros tempos, esteja reprovando a postura da igreja e de muitos de seus líderes, deixando com que sejam envergonhados.

Nossas palavras devem ser palavras de bênçãos. Não podemos ferir princípios e não possuímos nenhum direito de ferir a memória de pessoas mortas porque mesmo que não pertençam ao nosso meio, existem pessoas que as amam, respeitam e choram por elas. O pior de tudo é que o que se fala nas igrejas não fere apenas as pessoas que não pertencem a ela. Ferem e constrangem também nossos fieis. Quantos deles já saíram da igreja por causa de palavras que pastores não deveriam ter dito e de atitudes que não deveriam ter tomado?

Hoje se vê em grandes igrejas, pastores aterrorizando o povo por causa da teologia do “não toque no ungido!” Usam partes bíblicas como estas por pretexto para intimidar, tentando garantir a sua soberania pastoral. Baseados em experiências pessoais, afirmam que qualquer ofensa ou questionamentos contra eles, os pastores, será duramente cobrado pela justiça divina, quando na verdade estamos sujeitos a cometer  erros muitos maiores e mais graves diante de Deus.

Pastores devem reconhecer sua postura de homens de Deus e usar como critério o pronunciamento de palavras que apenas edificam, animam e tragam esperança, pois somos portadores da palavra de Deus a um rebanho que ao contrário do que muitos pensam não é nosso. Fica a antiga máxima, que inclusive nos como pastores gostamos de repetir: “Há três coisas que não tem volta: a flecha lançada, a oportunidade perdida e a palavra falada.” Que possamos ser boca de Deus para nossa geração.

Pastor Adeneir Sousa de Oliveira
Sobre o autor

One Response to Marco Feliciano e os cuidados que todo pastor deve ter

  1. Émerson Gabriel disse:

    Excelente artigo Pastor Adeneir, nada tenho a acrescentar, dissestes tudo.

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