A vida sexual do casal cristão

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Muitos afirmam que sexo hoje é coisa banalizada e que qualquer criança entende sobre ele a fundo. A grande verdade é que a coisa não é exatamente assim. Sexo é algo para ser conhecido na prática. Quando conhecemos algo apenas na teoria não atingimos nem a metade do todo. Nada adianta se tão somente sabemos sobre sexo, ou se na prática o temos apenas como um ato. O sexo entre casais tem que ter dimensões de um relacionamento íntimo, onde estão envolvidos compromisso, aceitação, admiração e tudo isso ligado a uma busca por satisfação mútua. Reduzir o sexo a apenas um simples encontro para satisfazer necessidades físicas é perder completamente o calor de sua essência e os benefícios da mais profunda intimidade para a qual o sexo foi criado para dar.

Já ouvi muita gente dizendo que foi se o tempo em que o tema sexo era tabu na igreja, o que é outro engano, pois sexo da forma como deve ser ainda é um tabu longe de ser quebrado. Tem aumentado de forma crescente nas igrejas os encontros e seminários com ênfase na saúde do matrimônio, mas o fato é que os a maioria dos palestrantes falam apenas sobre ser bom esposo e boa esposa e que deven demonstrar caráter na sociedade em que vivem, deixando as áreas com relação ao sexo do casal escondidas ou tratadas de forma muito superficial. É comprovado  que  uma vida sexual insípida ou desajustada é fator que compromete por completo a relação do casal, causando desequilíbrio em outras áreas. Se no quarto o casal não se entende, dificilmente conseguirá manter o equilíbrio em outras áreas, mas se tudo está bem na intimidade todas as outras áreas se harmonizam quase que automaticamente.

Há muitos casais cristãos na igreja que quando jovens não foram instruídos sobre a intimidade que deve fazer parte da vida de um casal. Não receberam ensino dos pais, nem da  escola e muito menos da igreja. Quando ministro para casais sempre abro um espaço para que as pessoas escrevam bilhetinhos perguntando sobre suas dúvidas e confesso que o resultado causa espanto. Realmente é uma área onde os cristãos precisam de socorro.  São muitas as perguntas entre os casais, no entanto na igreja existem pouquíssimas pessoas para dar respostas e das que existem algumas ainda dão respostas erradas, pois há uma diversidade de opiniões que ainda não se alinharam, ou seja, depois de tanta evolução a culpa ainda permeia a vida de muitos casais e eles não sabem o que fazer. Creio que  Para aconselhar casais quando se trata de sua vida íntima, o principal requisito passa longe de ser um diploma de psicologia ou um cargo de conselheiro eclesiástico é preciso ter um casamento bem estruturado e uma vida sexual saudável, antes de tudo.

O que muitos entendem sobre o sexo é aquilo que ouviram de seus colegas nas turmas de solteiros, ou o que leram em revistas baratas. Na cultura da igreja logo se aprende que se deve manter um alto nível de santidade e pureza para agradar a Deus e que o sexo é algo pitoresco, vulgar e pecaminoso. Ora, sexo é algo que causa espanto somente a nós hipócritas carnais, para Deus é um assunto que não envolve mistério, pois foi ele quem  desenvolveu cada detalhe deste ato e o deu tanto para procriação, como para proporcionar qualidade de vida a sua criação. Quando esses conceitos se juntam geram uma ideia errada de santidade onde o sexo tem que ficar sempre fora e qualquer extremo na relação faz com que ela seja vista como algo terrivelmente pecaminoso. Nisso, mentes, corações e desejos se chocam dentro de um limite que acaba bloqueando aquilo que serviria como desbloqueio para nos alíviar das muitas  aflições que vão consumindo a vida a dois no seu dia a dia.

 A Bíblia trata do assunto de forma pura e comum e em muitas passagens faz referência ao encontro sexual de vários casais, o que nos deixa seguros para compreender que o sexo  foi deixado por Deus e que entre casais as barreiras que o impedem devem ser analisadas e por fim, vencidas.  

Lógico que o casamento não é apenas uma forma inventada para ter sexo seguro, mas ele perde toda a razão de ser   quando o sexo não está presente de forma relevante. Há muitas pessoas que mesmo casadas pensam que podem escolher ter ou não uma vida sexual ativa e sem nenhum remorso vive a renegar seu cônjuge passando semanas e até meses sem um encontro sexual. Já conversei com pessoas casadas que não fazem a mínima questão de fomentar uma vida sexual e até com quem sente pavor quando são procuradas para esse fim. Conversei também com mulheres que disseram fazer sexo apenas para cumprir a obrigação de esposa quando no fundo gostariam mesmo e de ser ignorada ao lado da cama. Existem também aqueles para os quais o sexo se torna algo indiferente, ou seja,  tanto faz ter ou não porque no fundo nunca atingiram a satisfação sexual com seu cônjuge.

Claro que cada caso deve ser pensado e há muitas situações em que a falta ou a insatisfação na vida sexual é apenas um sinal de que alguma outra coisa não está ou não funciona como deveria, porém não importa a causa que tira a alegria sexual do casamento, ela tem que ser descoberta e rapidamente tratada.

São muitos os fatores que podem roubar o prazer sexual de um casamento. A frieza e o desinteresse podem ter causas variadas como: complexos, falta de perdão, doenças, tendências homossexuais, insatisfação com o desempenho do parceiro e até traumas por abusos sexuais que aconteceram na infância ou na adolescência. Por estas razões complexas é que nunca pode faltar a compreensão e o diálogo. Conversas abertas e amigas sobre tais problemas ainda são o melhor caminho para a solução e são extremamente necessárias até mesmo se o casal optar pela ajuda de um terapeuta quando for o caso.

Tanto o homem como a mulher dentro de um matrimônio deve conhecer seu parceiro na intimidade e tentar reconhecer ao máximo suas reações. É um absurdo uma pessoa conviver com a outra por algum tempo e não ter condições de fazer um diagnóstico se essa pessoa está ou não se realizando sexualmente. Por outro lado é imperdoável se um descobre que o outro não está encontrando prazer sexual e torna-se  indiferente com relação a isso.   É preciso saber que é um grande egoísmo se realizar sozinho por qualquer motivo, pois a nossa missão como parceiro sexual nada mais é do que permitir que nosso cônjuge desfrute sua sexualidade ao máximo e quem compreende bem o clímax da intimidade sabe que o sexo produz um efeito dominó onde o prazer de um é capaz de multiplicar o prazer do outro.

Autor: Adeneir Sousa.

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