Adultério Virtual – Parte 1

affair

Sandra * começou a perceber mudanças em seu marido. Ele estava distante, distraído e irritado. Passava menos tempo com sua família e mais tempo na internet. Embora  eles posuissem um computador, ele gastara dinheiro que não podia para adquirir um novo laptop,  isso para ter mais privacidade.

Ele ia cedo para  cama com seu novo computador móvel para passar horas e horas on-line, e de forma rápida minimiza  a tela sempre que alguém se aproximava.

Eventualmente, o estresse se tornou demais para Sandra. Ela invadiu o laptop e descobriu que seu marido estava tendo um caso cibernético com uma mulher que conheceu em uma sala de bate-papo. A intimidade de suas mensagens e a ousadia de suas palavras chocou.

“Quando eu percebi o que estava acontecendo me senti triste, irritada, vingativa, desesperada, deprimida, sem esperança – a lista é longa”, diz ela. A traição digital abalou todas as fundações da estrutura de  seu casamento. “Eu ainda estou lutando e lutando muito para ser capaz de confiar nele totalmente como confiava antes.”

Até recentemente, o adultério era um pecado da carne que precisava de um encontro ou contato físico para se confirmar.  Agora há uma nova ameaça: muitos casais, inclusive crentes estão se envolvendo em casos virtuais. Enquanto alguns pensam que assuntos on-line não são reais, pesquisas americanas mostram que uma boa parte das pessoas que neles se envolvem os levam tão a serio quanto os casos reais. O adultério virtual está se tornando uma porta cada vez mais larga para o divórcio. Há mais ou menos dois anos houve uma denúncia de advogados britânicos alegando que apenas a rede social Facebook já teria destruído quase trinta milhões de casamentos em todo mundo.

O anonimato, facilidade e acessibilidade da internet se tornaram o sonho dos traidores. A piscina de tentações,  tão limitada no mundo real, agora se “escancara” a centenas de milhares de pessoas no mundo cibernético. Elas podem se cadastrar em milhares de sites de pornografia, entrar em sites de namoro, em sites especializados para pessoas casadas e ainda acumular centenas de amigos ou seguidores on-line.

“Nunca antes no mundo das convivências foi tão fácil para homens e mulheres casados que procuram uma aventura”, diz  Beatriz Mileham, uma pesquisadora da Universidade da Flórida, depois de examinar as pessoas que usam sites de encontros criados para pessoas casadas. “A internet vai em breve tornar-se a forma mais comum de infidelidade, se já não estiver sendo.”

Em salas de bate-papo, os assuntos podem florescer rapidamente envolvendo  pessoas que normalmente o adultério convencional nem passaria pela cabeça.  Uma leitora relatou nas páginas de aconselhamento de nosso site o caso  a seguir: “Eu acidentalmente cai  em um caso de adultério digital com alguém que  me conheceu  a partir de uma lista de discussão à qual pertenço.  A intensidade desta aventura cresceu  rapidamente,  avançou por vários meses e chegou a um ponto onde discutimos a possibilidade de   ficar juntos.”  A pessoa que até então era apenas um personagem virtual vai se tornando cada vez mais real. Enquanto o relacionamento amadurece os sentimentos vão se tornando cada vez mais intensos e a pessoa virtual logo se torna confidente e companhia preferida.  A  pessoa envolvida passa então a não mais tratá-la como alguém distante, e  sim como um pessoa que está ali sempre ao seu lado, bastando apenas solicitar a sua presença. Vários artigos da psiquiatria afirmam que tudo pode começar por mera curiosidade e transformar-se em uma armadilha que cedo ou tarde será  fatal ao casamento.

Os amantes virtuais mudam rapidamente do bate-papo para troca de fotos,  confissões íntimas e sexo virtual evoluindo inclusive para contatos telefônicos.  A ligação pode tornar-se tão intensa como uma relação real.  Os sinais indicadores de que a pessoa está tendo um caso virtual são: Dependência de estar on-line  ou sempre perto da  Internet,  ficar sentado(a ) em frente ao computador até de madrugada, trancar a porta do quarto ou escritório para não ser perturbado ou descoberto,  tornar-se obsessivo com  suas senhas,  ignorar suas  tarefas e responsabilidades e dedicar cada vez menos tempo à família enquanto vai se isolando de seus relacionamentos reais.

Não há um perfil claro da pessoa que trai on-line ou por quê dela se dedicar a fazê-lo. Alguns estudos sugerem que essas pessoas  tendem a ser homens mais maduros, profissionais que se sentem insatisfeitos e isolados em seus relacionamentos ou que querem sexo fácil e anônimo. Podem também ser pessoas de bem que não encontram no mundo real a realização para suas fantasias sexuais ou pessoas em fuga da realidade matrimonial em que vivem. Muitas vezes não é um problema de personalidade e sim de oportunidade.

“Pode também ser um problema de carência no casamento”, diz Monica Whitty, uma psicóloga australiana e pesquisadora da Universidade de Queen, em Belfast. “Esta é a maneira que as pessoas poderiam tentar escapar ou lidar com seus problemas.   (A segunda parte será postada na próxima semana)

Por Jordan Baker – 20 de agosto de 2005 
Traduzido e adaptado por: Adeneir Sousa

(Sobre o tradutor)

*os nomes não são reais


One Response to Adultério Virtual – Parte 1

  1. WALTER disse:

    INFELISMENTE E ISTO QUE ESTA ACONTECENDO COM MINHA FAMILHIA,COM MAIS DE 22 ANOS
    DE CASADO MINHA ESPOSA CRISTA ENTROU POR ESSE CAMINHO DE MULHER HONESTA BOA MAE
    TODOS OS INDICIOS LEVA A CRER QUE JA CHEGOU A SAIR DO VIRTUAL, O QUE FAZER.

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